segunda-feira, 30 de novembro de 2015

o ritmo concreto

O Estranho que permanece,
porque apenas me considero elegante, ainda.

Ainda, pois, ora, na atual velocidade das coisas, as circunstâncias hoje mudam e mudam, dançam sem pudor. E o mais grave é que gostam assim. São respeitadas assim, num clássico reverter, inverter subvertendo.

Nada foi dito, tudo foi transmutado. Sem saudosismo baratos o que fica é mais do que eu gostaria sem dúvida, mas é preciso abrir as janelas!!!! Mas é preciso desapegar-se, caso contrário, serás furtado, ou roubado com violência mesmo. Sendo assim as condições, aja como lhe convir, seja inteligente com rapidez, seja astuto como nas estórias em quadrinhos. Não estude muito, não leia demais, não pense em demasia, pois nada será usado, e terás dores de cabeça insuportáveis.
Não sejas masculino demais, não sejas feminino demais, pois afinal, todos já estamos azuis. Não seja indolente, não seja impaciente, não transforme mais do que seja permitido.
Pois há salvação na ignorância, pois há perdão na cegueira. Pois existe um mundo melhor ao subestimar este. Encontrarás tudo o que necessita quando o nada chegar, quando o vazio habitar.

O tudo, o nada, o absoluto, o fim, a morte, o gozo, o extermínio, o extremo, o exagero, o transbordar...

O amor - in con di cio nal

o sem fim. a exaustão sem ação, a ação cadenciada, o ritmo da cidade, do concreto. O cinza que me habita, que te habita, que nós habitamos.
Sem solução, sem fim, sem o extremo absoluto transbordante...

Apenas conheço a resistência da coragem.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Dança sem guarda-chuva

O que está além está por vir, e veio.

Ficou. Faz? Fez-me...

Enfim, sóbria e feliz diante das incoerências vividas. Os diversos sonhos sobre 1984, sobre o que restou e a violência instaurada. A poesia que por oras se afunda num abismo oceânico, por oras se delicía na superfície para que todos a vejam, ou apenas alguns, um.

Tudo o que havia sido silenciado aparece, timidamente, num não-piscar de olhos. Nuns segundos que se tornaram uma existência. O que dizer para além das palavras? Lacanismos, platonismos, escritos tocados pelo coração, dança de improviso, poetas e uma vida só. Um caminho que leva a outros anteriores, que seguiam um sentido.

Faltam palavras. Sobram intenções e sentidos cegos guiados pelo tato. Tato-dádiva, dom adquirido pela persistência em fazer sentido, compreender o ocorrido, uma fagulha que liga, dois. Dois em um, um ser que inclui, paixão em fazer, corpo, gosto, sentir, ir até e voltar a si, ir e voltar num invólocro de amor e paz.

Sobram os sentidos, pensamentos, o cérebro obsoleto faz parte e vai até, e volta, comunica com os atos involuntários de ir até, estando em si, com o que não coube dentro e paira no ar. Faz um sentido, compreende o ocorrido deixando escapar um "sim". Escapado não se perde, dança um frevo... chove e estava eu sem guarda-chuva a dançar em mim, ao ver as cores do que não dissemos...



quinta-feira, 16 de abril de 2015

Sobre além.

Sobre-vivência.


Quero dizer para além da vivência. Quero dizer sobre o viver, sobre o que é vivido. O viver palpável é o que se divide, o que se compartilha, o que se soma a outrem. A vivência interna é o que não se consegue dizer, dificilmente compartilhar, significar. Só aparece em meio a símbolos que não estão diretamente ligados experiência sentida. Porém, ser ignorada este tipo de vivência pode não ser uma escolha apropriada...

Eu senti, ela viu, ele não soube.
Eu quis, ele percebeu, ela não sentiu
Ele participou, eu não, ela riu
Eu não quis, ele não pensou, ela sim
Ela estava atenta, ele não, eu... bem...

O que foi passado, ainda não está amarrotado, eu sinto em mim,
Minhas mãos falaram por dentro, não consegui dizer
Formigou, eu percebi, ele não quis ver.
Perdi, perturbei-me, cansei, despedi, segui..

Ele? Viu, e não fez, não quis, nada, nada a fazer, menos a dizer
Eu? Sobrevivi apenas
Ela? seguiu, rindo. Só rindo.

Para todos os instantes de dúvida há movimento
Para os instantes de certeza há felicidade (aparente)
Para os momentos de alegria, um brinde
Para as celebrações compartidas .. um alívio.
Para todo o resto... só coração
Uma pitada de orgulho (vulgo senso de preservação)
Um tantinho de sabedoria harmônica
Uma boa gargalhada
e Se for possível um beijo na boca


as necessidades do corpo dizem algo a mais do que simples funções fisiológicas.
Respeite-as. Ele sabe, ele, o corpo, ela, a alma, eu, o amor

O que acaba se inicia, está pronto para seguir andando, parei de engatinhar. Virei pantera.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Gratidão

Dia de renascimento

há exatos 28 anos, eu chorava ainda com o cordão envolvido no pescoço, numa sala fria de hospital. Nasci de parto normal próximo das 15hs. Conheci meu pai, minha mãe, que não sabiam o que esperar, mas meus quatro irmãos sabiam exatamente como eu viria para este mundo... uma menina, de olhos claros... Sempre que me lembro disso, me emociono, porque é maior, porque o desejo de estarmos juntos faz com que eu me sinta amada, e querida! Além dos aléns, quem tem irmão sabe, e vai saber para o resto da vida reconhecer, inclusive os irmãos que não são de sangue.
Hoje resolvi escrever porque saturno em algum momento chega, e te faz ver coisas, sentir coisas, com verdade.. e porque não tem porque mesmo. Mas o sentimento de gratidão a vida, e aos que me desejam mais vida é o que me toma no dia de hoje. É só isso que desejo, agradecer a vida que tive, tenho, e terei.
Gratidão aos meus irmãos que me ensinaram o que é amor e proteção. Estarmos juntos e sabermos disso é proteção. Gratidão a minha mãe, que desejou minha gestação e me teve com tamanha coragem. Gratidão a meu pai, que me ensinou tanto na vida, inclusive a ser eu e tomar as rédeas da minha vida, e a escutar a sabedoria da natureza.
Mas este ano, foi um ano com muitas perdas e ganhos, e aprendizados sem fim. Aprendi a largar, a deixar ir, para seguir com menos bagagens, e aprendi também o que é riqueza. Por isso agradeço aos meus amigos, que são um bem muito enorme, e muito palpável, pois com eles dou as maiores gargalhadas, mesmo quando está tudo bem ruim.
Mudei de casa, mudei de cidade, tive a dimensão que o lugar da arte em mim é muito maior do que imaginava, e isso me faz estar permanentemente a serviço de algo maior. Do que precisa ser dito, do que eu preciso transformar em mim. Mudei de mim, estava loira, fiquei morena, fiquei muito morena. Mudei de intenção. Escrevi um livro, dirigi uma peça, dei uma oficina que criei, fiz trabalhos como atriz que me foram muito caros, e que tenho muito orgulho. Resolvi sonhar, e realizar os meus sonhos...Nunca me esqueço de uma frase que tive a benção de escutar de um mestre, amigo, que dizia que somos muito mais o que largamos do que agregamos. Isto parece estranho, mas para viver a liberdade, e chegar perto de uma sensação de amor, é preciso sim, largar o medo, largar o rancor... Perdoar também é largar.
Aprendi também que a gente amadurece, e que é bom! Mas é endurecer e amar ao mesmo tempo. E isso é inevitável, então é melhor se render.
Esse ano tive que ter uma coragem maior do que imaginei ter, para enxergar as coisas, inclusive as que estão dentro, e próximas do meu desejo. Respeitar o corpo e o fluxo que ele deseja seguir... Respeitar e agradecer ao que não é mais... pois assim é a vida mesmo, não tem como não encarar. Agradecer a solidão e dançar com ela, dançar ela... maior bem, isso faz com que tenhamos prazer em estar com as pessoas.
Agradecer também as pessoas que passam pela vida sem aceitar o amor, agradecer o fato delas passarem, pois essa passagem engrandece ainda mais as pessoas que aceitam e que estão a nossa volta.
Gratidão ao meu amor que me presenteou com paz e parceria, e isso é o maior bem a ser dado, um terreno fértil para o amor brotar e ser cultivado.
Tenho amigos, tenho família, tenho animais, tenho um amor, tenho paz.

Muito agradecida a saturno, a vida e ao amor, que ainda vai me levar onde eu quero chegar...