sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Estejamos

Enfim sós, 

Digo, eu enfim, aqui. 

Como vamos por ai? Há quanto que não falamos, há tanto para lhe dizer... daquele jeito sem palavras mesmo que entendemos. 
Por aqui chove mas ainda faz calor. Imagino que aí as cores já estejam aparecendo. 
Fico feliz de imaginar-te passeando por elas. Com o perfume adentrando suas narinas, sua pele. Fico feliz de ter esta sensação em mente. 
Aqui o vento se faz presente e isto me faz contente também. Quase por inteiro. Sabemos que inteiro não existe assim, como o nada, e blá blá blá... Mas sejamos mais humanos errantes, tenho gostado disso. Tem sido um exercício maravilhoso. Parece que me sinto mais abraçada por todos. 
As novidades aqui estão velhas, digo, elas envelheceram, amadureceram, e estão todas caminhando por si sós. Mulheres adultas velhas, andando em direção ao seu desejo de alcance. 

A chuva me trouxe uma coisa boa também. Tenho dormido, acreditas? Parece que quando o céu chora me traz um alivio, como se chorasse por mim, e eu me esvazio também de tudo aquilo que no fundo mesmo nem importa, e o que importa?

Não me lembro a última vez que tive aquela sensação ruim de estar fria. Não credito este fato ao calor, é uma coisa dentro mesmo. Não tenho me olhado mais com tanto pesar, parece que o tempo quando passa leva as coisas também, e o que vem, passa também, deixando uma brisa suave. E deixo ela levar. Isso percebo ser bom. Estar somente eu, pura, em pé, me faz querer abraçar mesmo. Soa engraçado, mas é o que é. 

Mas era só para lhe dizer que a leveza tem estado aqui. Fico feliz por isso. E me deixa contente o fato de poder dizer-te tal façanha alcançada. 

Estejamos, pois já fomos muito. 

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

escolha afetar-se



Estando num estado repartido pela ética e pela podridão da dignidade. Sim, uma novidade, ela ainda existe. E pode estar bem perto de você, sem se fazer percebida. Digo, a sua dignidade, a sua dignidade compartida. Compartilhada, pode até ser que esteja esquartejada, mas ainda, ela está lá. Cultive-a, estando perto. Ela pode ser seu maior dom, presente ou qualquer coisa próxima disso.
Como se guiar, quem guiar, o que escolher, pelo o que escolher. Muitas perguntas, sem respostas, sem sentido, sem ilusão e também sem coragem de apropriação.
Diria que, onde estaria a luz, neste instante, pode estar encoberta por uma escuridão profunda. E o que falo não tem juízo de valor. Apenas juízo sem julgamento.
Mistério. O não dito fala, e corre o risco de ter razão, apenas por ter ficado calado pensando. Isto traz uma consciência própria e rara nos dias de hoje. O juízo pediu férias adiantadas, o seguro morreu de velho, a precaução tirou licença de doença, o espírito ainda pode ser que esteja por ai tomando um café até as coisa acalmarem.
O instante em que as coisas se fazem é também o mesmo instante em que as certezas desaparecem.
Os quereres ficam divididos pelos afetos. Pelos desejos. Pelos que ainda não sabem em que lado estar. Medir as coisas parece necessário. E o peso delas, tem cheiro de verdade. O que pesar para um lado pode ser que seja mesmo o mais importante. Não use a ignorância para esta equação. Será chamada de estupidez. Não temos tempo. Pendule e caia. Fique, se estabeleça para lado algum. Algum há de fazer sentido. Permanecer em cima do fio não parece o caminho. É preciso estar fazendo volume. Volume de afeto, comunhão, estabelecimento de aconchego. Siga o que talvez possa esquentar seu coração.
Faça sua escolha, ela não é tudo isso tão difícil assim, ela é o que você faz todo instante.

Ler ou não ler, escutar ou não escutar, comer ou não comer, pegar ônibus ou ir a pé. Estar só, estar junto. Ficar ou ir. Sorrir ou magoar. Sair ou permanecer, estar ou ser, ficar ou ir. Vestir ou despir-se. Dizer ou calar-se, ajudar ou se fingir de coitado. Poder ou vitima, assumir ou fazer,



A arte que me deixa só ou é o mundo que precisa se concatenar que vivemos de afeto e afetar?

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Saboreio

Quando o desejo que desperta em mim flagra o que mora em ti
 Declara o que há entre, e o que mais importa... ou o que ainda escondido
 Sorri, sendo flor, despetalando em cheiro, aroma das águas - única comunicação possível.
 O Fluido, a saliva do poeta, o riso da dor. O Gosto do amor. A lambida do âmago, do início.
 Do início à colheita. O Desatino. O Prumo, o inexistente, o inexplorável. Assim sim.
 Não sendo não. Estando sim, ficando também. Quero, eu, no, instante que posso ter, pego
 A felina vontade de Ser mais do que o permitido. O ilícito e recomendável, o não dito e salivado.
 Sigo, permitindo-te-me-ir a frente e para o alto. Sendo, eu, e sim sem nada e voando pelos verdes e cinzas, querendo o azul. Sou e fico para o que notou anoto,
 Rasgo, queimo vez em nunca por merecimento, fazendo o um que há em tudo, que está contido no todo.


      Prosa concreta
      Poesia amena
      Faz que flor
      Petála que dor
      Ama que qual for
      Meu sem propósito de gente
      Propriedade sem mente
      Inconsciente que desmente
      Desconfiara a língua
      Saliva o verbo
      Desfaz o acaso
      Transforma em mérito


Vamos falar de sexo?
     Inconsciente físico, nas moléculas de descoberta.
     Estar desperto é esperteza no alvo.
     Questão de Gosto no afeto - AfetAR.
     Precisão no agradar. Dar e doar.
     Dar. Pegar e ganhar.
     Estar. Ficando. Sendo.
     Fica. És. Tú. Belo - o- ar.
     Respirar de quando em vez
     Prender por esmero
     Princípio do Fim. Fim?
     Era de tudo eterno.



Fiz de mim um só instante de paz seguida ou 
objeto de desejo junto.
Sem direção.
Fiz do desgoverno ação.
Pelo gesto, pelo trato, pelo tato. 
No Ato, do destrato.
Do desgosto sobrou o saboreio.

E muita saliva,
Inundei-te sem matar-te ou morrer-me
Fiz de tudo 
um só gosto.

sábado, 11 de junho de 2016

sem mim mesmo.



Ah se pudesse,
e se quisesse, sem mim mesmo..

só de querer, de poder, de engolir, sem medo mesmo.
De amor, com sabor de ontem e hoje, o presente já foi. O que vale é o desejo que cabe no futuro.

Gostaria que assim fosse, um segundo só de mãos no vento,

Sem a dúvida que paira no ar

só sem essa dúvida mesmo, e sem pesar ou decidir, só ir.

na constância que a cadência da sede traz.

terça-feira, 5 de abril de 2016

O zero já temos

Parados estamos


estatelados na certeza de que nada pode ser diferente do que é, e que anda... corre... flutua.. Nos segue ou seguimos pois.

Amigos são como uma noite estrelada, num céu de um azul bem bem bem profundo. Elas me dizem tudo aquilo que você não fala, e que eu não posso me dizer, por uma covardia profunda ou por mais uma incerteza enorme.
As coisas mudam, migram, voltam às origens, passam seus recados, vibram a memória das coisas.

Os elefantes que não necessariamente sabem a hora de morrer e por isso se recolhem. Mas eles entram no não-tempo, digo, ficam fracos e lentos para seguirem o resto do grupo, no ritmo declarado. O amor poderia ser comparado à essa circunstância.

O que fica sem substância para seguir seguindo...

E nem por isso foi, ou fica no caminho. Bonito, mais bonito pensar que entra no não-tempo e que segue outra lógica, instância. Difícil, outro "difícil" é acompanhar a entrada no não-tempo.

Talvez não, como a roda gira, e a torre cai. As risadas existem, e a graça em tudo isso de graça, existe também.

Como andamos nós, como andam os peixes, e as aves?

Ciclo sem fim do mundo, o zero já está...


domingo, 13 de março de 2016

"Stolen Dance"

Parafraseando "Stolen Dance"


O que fica fica, e nem tá, não teve, materializou e não concretiza, estranho no ninho de forma perdida, assustada e precisada de tanto que nem se mexe....

Mas não é disso que falávamos, era sobre, era sobre, algo parecido com liberdade e não saber o que fazer com ela, sem saber para onde ir... Sem ter forma, sem ter retorno, mas tendo respostas... Sim, ter respostas já é muito bom, sim, muito bom.... Era sobre o que eu falava...
Sobre ter tanta.... Como chamava aquela coisa que .... Aquela coisa que se tem quando não se tem....
Foda-se!!! Dizia sobre acreditar.... Acreditava mesmo, claro que não em tudo ou em todos, acreditava no poder da visão. No poder eu não acreditava, ele existia mesmo, mas acreditava na visão, nas portas da alma e dos sentidos, visão dos sentidos, dos pêlos, do nariz, na orelha, das mucosas...
Uma alma corpo que age em resposta instantânea, com um sentido grande...


Ria das bobagens que você dizia, sem saber se localizar no espaço e menos ainda no tempo... O tempo não existia para você, e eu era existida no tempo, dentro dele, dançávamos.
Ficava atordoada, era muita música, o tempo todo, o dia inteiro, dentro, dentro do corpo... Tua voz se misturava. Perdia a imagem...

Mas não era nada sobre isso o que falávamos, era sobre o amor, que um dia poderia existir, você dizia que não existiria e que nem nunca existiu. E eu dizendo que era a única coisa a ser existida, e por isso mesmo o mundo havia acabado, pois depois dele, não haveria nada mais para ser inventado, já estava no fim... Era o "felizes para sempre" sem reticências.

Engano meu, engano seu... Engano nosso não dentro do mesmo conjunto.
Nem gregos nem troianos, era sobre o cavalo que estávamos querendo nos referir e debater, e não pudemos, não deu tempo... A lua girou, a maré encheu e esvaziou, ficamos estáticos, dançando, vendo o dia, a noite, os pássaros, a "vida" andar e ficávamos como duas cobras nos circundando sem dizer nada... Dizendo o mesmo ao contrário talvez, ou não...


Mas era sobre ter tempo demais que falávamos, era sobre ter tempo e não viver imensamente, engolindo cada saliva do espaço e do suor da vida....

Eu nem tu, você, senhora, senhor, mister, moço, pequeno, temos a obrigação de um final alegre, contente, não há final.

Não há início
Não há respiro
Não há sono
Não há estorno
Não há contentamento
Não há falta
Não há deleite

Há eu, mim, ser, mulher, coragem, pés, mãos, braços, nariz, agudez e fatalismo.
Há você, macho, fêmea, ser, príncipe e rei, vagabundo, vítima e juiz.

E um fôlego extremo e insustentável pela vida, que se gera, a cada esquina da noite, do dia, e do instante em que um olho enxerga em convergência de dois... Olhos. Nus. Sim. Amor.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

o ritmo concreto

O Estranho que permanece,
porque apenas me considero elegante, ainda.

Ainda, pois, ora, na atual velocidade das coisas, as circunstâncias hoje mudam e mudam, dançam sem pudor. E o mais grave é que gostam assim. São respeitadas assim, num clássico reverter, inverter subvertendo.

Nada foi dito, tudo foi transmutado. Sem saudosismo baratos o que fica é mais do que eu gostaria sem dúvida, mas é preciso abrir as janelas!!!! Mas é preciso desapegar-se, caso contrário, serás furtado, ou roubado com violência mesmo. Sendo assim as condições, aja como lhe convir, seja inteligente com rapidez, seja astuto como nas estórias em quadrinhos. Não estude muito, não leia demais, não pense em demasia, pois nada será usado, e terás dores de cabeça insuportáveis.
Não sejas masculino demais, não sejas feminino demais, pois afinal, todos já estamos azuis. Não seja indolente, não seja impaciente, não transforme mais do que seja permitido.
Pois há salvação na ignorância, pois há perdão na cegueira. Pois existe um mundo melhor ao subestimar este. Encontrarás tudo o que necessita quando o nada chegar, quando o vazio habitar.

O tudo, o nada, o absoluto, o fim, a morte, o gozo, o extermínio, o extremo, o exagero, o transbordar...

O amor - in con di cio nal

o sem fim. a exaustão sem ação, a ação cadenciada, o ritmo da cidade, do concreto. O cinza que me habita, que te habita, que nós habitamos.
Sem solução, sem fim, sem o extremo absoluto transbordante...

Apenas conheço a resistência da coragem.